segunda-feira, 11 de julho de 2011

Enjoy the moon



Depois de muito tempo, só uma coisa me pudia despertar a atenção... a Lua

A Lua ontem tinha um ar diferente.

Nada de ingênua, cheia, brilhante ou adorável...

ela era sarcástica.

Tinha um sorriso debochado, acho que ria de mim.

Mas, era impossível não olhá-la.

Mas, ela me criticava.

Era impossível não criticar, frente à situação deplorável.

Você vive a vida com todos, você pensa que vive a vida. Mas, no fim da noite é você quem está sozinha, indo pra casa sozinha.

E então, com excessão do vento que te toca com força e da Lune que ri de você/com você/ pra você... você não tem mais ninguém!

Não importa o quanto você se esforce, se exiba, (ou se permita ser vista), ninguém te nota.

E ai incrivelmente, você vê todas as pessoas que não gostaria de ver, quando pensa que sua noite não pode ser pior. Mas, é certo que você treme os joelhos quando a (o) vê.

Ria de mim, Lua... EU estou com vontade de rir.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

coração



era uma vez um homem

centrado em suas verdades, falava através do silêncio. mas na transparência e na quietude de suas palavras, feito canção que se compõe entre os olhares dos apaixonados, surgiam versos como surge o perfume das flores.

ainda que existisse, tantas vezes se perguntava se ele era real.

amava por inteiro. queria ser amado sem exigir sentimentos. para ele, o amor só valia quando causava alegria. era de um tanto dedicado que perturbava aqueles que não sabem receber o amor.

porque não é simples recebê-lo.

mas talvez perturbasse mais por não deixar-se desvendar... era homem, feito anjo; sem asas, era anjo, feito homem. sabia voar, a sua maneira, através das coisas que sentia... mas, além disso, sabia fazer voar, através dos sentimentos que oferecia. talvez não fosse um homem, talvez nem fosse um anjo... certamente isso é uma fábula para quem não acredita em anjos ou em arco-íris ou mesmo em amor.

não há um único nome. existem vários. aos homens, todos os outros homens, ele era, mesmo sem saber, uma parte dentro de cada um. seu nome era coração.




Rosana Braga

quarta-feira, 8 de junho de 2011

enjoy your camel

... pra quem pensa tudo ao mesmo tempo





a verdade é que eu nunca entendi... por que as decisões mais importantes têm de ser tomadas com o menor tempo possível? a verdade é que não se pode decidir toda uma vida sem tempo pra pensar.


os calafrios, os arrepios, não são só pelo frio... a fenda espacial no estômago. os tremores. a fraqueza e a cabeça que pensa tudo ao mesmo tempo, que não pára, que não dorme, não descansa... aaah... essa cabeça nada pode fazer agora! atingiu a sarjeta. depois de matar. matar os sonhos, as esperanças, o medo? [não, provavelmente não, esse cresce cada vez mais]. depois de matar tudo que pudesse crescer dentro de si, atingiu a sarjeta, em todos os aspectos. e sentada ali, com seu camel, só tentava organizar tudo que brigava por prioridades em sua mente - que não pára.


- "como é que vai ser?" - "daqui pra frente"? - "não, só hoje, quero saber de hoje". - "como vou sobreviver?" - "como é que vou me ajeitar?" - "como vou conseguir comer?" - "ou... só voltar a respirar..." - "não sei! quem sabe?" - "talvez nunca saiba" - "vou ter que me contentar em imaginar".


e o mais difícil é esperar, do tipo: espere e verá. e até que aconteça, não dá nem mesmo pra viver. nem adianta tentar. porque não se pode ouvir, ver, sorrir, comer, dormir, sonhar. pelo menos, não verdadeiramente.




~prece. faça uma prece. com tudo que você aprendeu. com toda a força que lhe resta. com o último fio de esperança do que quer que seja que deseje.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Judgment

engraçada essa situação de julgar pessoas... alguns ruidosamente silenciosos, outros silenciosamente barulhentos. a tensão evidente faz com que ninguém deseje chamar a atenção.
cada detalhe deve ser minusciosamente analisado (perscrutado) pela importância da ocasião. pena que algumas pessoas não podem muito ajudar.
deprimente mesmo é a situação de ser julgado, o centro das atenções, o único palhaço do picadeiro, o show é dele. talvez seja por isso a apreensão, ou não, talvez seja porque ele caiu antes, é, deve ser isso, e todo esse circo foi montado por esse motivo.
a solução dos problemas está nas perguntas, seja a outros, ou a você mesmo.
OLHOS, OUVIDOS, BOCAS

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Entorpecida



o desejo de escrever incomodava tanto que tirava o sono.

talvez seja a leitura excessiva. o fato é que um certo torpor tomou conta de seu corpo e abriu os olhos de relance. ao abrir os olhos encontrou uma cena perfeita...

a música falava sobre esquecer. as luzes mudavam depressa e só havia uma estrelha no céu - na verdade haviam outras também, mas essa se destacava, brilhava absoluta - dava pra pensar: mas uma imensidão de céu para uma só estrela? isso é egoísmo! sentindo-se membro da realeza, a lua a rainha e ela a princesa. a lua um capítulo à parte, em toda sua nobreza.

escolho falar sobre as estrelas daquela noite. um céu de um azul escuro, bem clarinho... a princípio só se podia ver uma estrela (como já foi dito), mas se estreitando os olhos, dava-se pra ver as outras tímidas, como vagalumes distaaantes... que aos poucos se abriam, iluminavam por pouco e se escondiam. era como uma colcha escura, clarinha com milhões de purpurinas que só se podia ver o reflexo. e só alguns quilômetros à frente, foi possível ver a lua. gigante. brilhando.

a verdade é que apesar de, por alguns minutos, essa tela hipnotizar, não era possível desviar o pensamento e não importava quem estava ao seu lado, segurando sua mão, consolando seu coração, respirando alto. os arrepios a tomavam por não querer pensar. não querer admitir. não querer acreditar. por vezes é mais fácil e mais recomendável, tentar se enganar.

afirmar é como permitir. negar parece afastar.

e no mesmo ritmo [entorpecida] adormeceu e sonhou...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

MSN'ando

ei! o que você pensa que tá fazendo? vindo e saindo e vindo na minha vida como uma janelinha de msn? faz questão de que eu veja você entrando pra eu prestar mais atenção!
e suas atitudes, suas palavras, que parecem ser pra mim, intentam me ferir, como indiretas de subnicks?
você já não me chama, somos como estranhos, talvez amigos virtuais, talvez bem menos que isso porque já não conversamos mais.
e eu ali sempre te observando, vendo o que você está ouvindo, olhando seu sorriso na imagem de exibição, sempre indiferente, sempre estático, sem reação.
me dei conta de que o histórico da nossa vida é pura fachada.
sua falsidade (em negrito), palavras distorcidas (em itálico).
suas caras e bocas como emoticons, suas palavras coloridas... e tudo que compartilhamos...
queria bloquear você do meu pensamento, excluir meus sentimentos, deletar sua identificação.
mas, não! prefiro deixar você me ver, me ver subindo, acompanhar minhas palavras prontas, minhas mudanças, minhas diretas-indiretas, e olhar o meu sorriso meio 3/4 que suas atitudes não conseguiram apagar.
daqui pra frente o nick é novo, só quero te avisar, agora já não adianta mais chamar, procurar, porque meu status pra você vai ser sempre ocupado!!

livre o suficiente


.é uma ótima forma de começar o dia, um ótimo dia pra começar a semana. mas eu só queria que meus pés não tivessem rumo certo, queria que minhas mãos não estivessem tão ocupadas, que não houvesse tanta bagagem e eu pudesse correr... pudesse sentir a água caindo no rosto, molhando o corpo, lavando a alma. talvez fosse realmente um dia perfeito, se não houvesse tanto por fazer! desejaria que não houvessem tantos rostos conhecidos, tantas obrigações e nem caminhos certos, percorridos.

que qualquer lugar que eu fosse, estivesse a me esperar e nele realizasse indizíveis feitos.

queria que sentir fosse suficiente, não houvesse necessidade de explicações... nunca fui muito boa com palavras --'

por isso amo os bebês! com eles não é necessário falar, só demonstrações, eles não se esqueceram o que é sentir...

e se eu pudesse correr? correr tanto que não me lembrasse mais de onde vim, até que meus pés doessem, minhas pernas amolecessem e eu caísse, sem reação.

talvez eu precise mesmo é correr de mim, me afastar de tudo que me lembra o que eu posso fazer comigo mesma.

já que não é possível, me abrigo em baixo de uma proteção que me impede de entrar em contato com o que cai lá fora. até que eu esteja livre o suficiente pra passar por ela sem me preocupar. . .